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CONSTRUINDO EXCELÊNCIA COM OS “PROFISSIONAIS DE SUSTENTABILIDADE”

Maria Cecilia Coutinho de Arruda

04/05/2017

Nos dias 26, 27 e 28 de julho de 2011, participei da 18th Annual International Conference Promoting Business Ethics, na St. Thomas University, em Nova York (USA), onde fiz uma apresentação sobre os profissionais da sustentabilidade, fruto de trabalho elaborado em co-autoria com Marilena Lavorato.

Tive como objeto de pesquisa e consulta o Banco de Práticas do Programa Benchmarking que há nove edições seleciona as melhores práticas de sustentabilidade do Brasil, por meio do Ranking Benchmarking. Já passaram pelo crivo Benchmarking, 133 empresas brasileiras que contribuíram com 226 práticas catalogadas em 10 diferentes temáticas. O Banco Digital de Práticas do Programa Benchmarking Brasil é um respeitável acervo à disposição da sociedade. Além da pesquisa minuciosa dos cases ali apresentados, fiz uma rápida enquete com seus gestores, também conhecidos como gestores Benchmarking. Outras fontes contribuíram para o breve artigo que apresento a seguir.

Ele resume uma pequena parte da apresentação, que culminará numa publicação acadêmica mais profunda, em que essas referências serão identificadas e comentadas adequadamente.

A função dos profissionais de sustentabilidade teve origem nos anos 1890, quando o Chief Electricity Officer foi designado para gerir a questão elétrica, importante para impulsionar as máquinas que o boom industrial demandava. Estava ali pela primeira vez um olhar sobre a gestão de recursos naturais.

Até os anos 1970, o desenvolvimento fabril ainda revelava certa indiferença por parte dos empresários e governantes no tocante as pessoas e natureza. Os acidentes denotavam falta de prevenção e pouca atenção era dada ao meio ambiente ou aos trabalhadores. Na década de 1980 iniciou-se o combate à poluição, com novas tecnologias para se adequar à legislação. Nos anos 1990 a prevenção contra poluição trouxe o sentido de competitividade ligada ao meio ambiente, esboçando o que viria a se configurar como sustentabilidade. A partir de 2000, os modelos de negócios passaram a exigir ferramentas como análise de ciclo de vida, ecodesign e logística reversa. Cresceu a consciência sobre sustentabilidade, pelos retornos, ganhos de eficiência, competitividade. Surgiram profissionais para enfrentar desafios significativos, com uma visão holística dos negócios: critérios culturais, regulação, pressão social de diferentes grupos e posicionamento estratégico da sustentabilidade.

Dada a sua responsabilidade, trabalham junto ao quadro diretivo da organização. Exploram atividades que adicionarão valor aos acionistas, revisando toda a gestão dos impactos da organização e os riscos para sua reputação. Para geração de receita, põem suas habilidades estratégicas, comerciais e de comunicação, seu conhecimento das políticas e das pessoas, sua experiência, para desenvolver produtos e serviços que melhoram a sustentabilidade da organização, além de outras oportunidades, como a de novos financiamentos, redução de custos e aquisição de empresas. O profissional normalmente é indicado entre os colaboradores da organização, num processo inspirado e coordenado pelo seu presidente, para atuar idealmente durante uns vinte anos. Em vários países, com frequência acaba por entrar na Política, buscando diretrizes governamentais para toda a sociedade.

Adequando a estrutura de negócios ao cenário futuro, identificam um portfólio de “produtos verdes” que sinalizem mudanças e um relatório dirigido ao presidente, que incorpora a “função sustentabilidade”. Partindo do relacionamento com os públicos mais importantes, estabelecem parceiros e colaboradores para alcançar as metas propostas.

A sustentabilidade não onda, é perpetuidade. Seus guardiães estão imbuídos dos valores universais. Os recursos naturais de hoje são fruto de décadas de cuidado. Resta que mudemos nosso estilo de vida. O profissional de sustentabilidade tem essa grande missão: provocar mudanças sociais por meio de empresas, governo, famílias, meios de comunicação, todos os públicos com que interage no desempenho de suas funções. Merece, portanto, reconhecimento e justa remuneração.

O profissional da sustentabilidade não é mais um arauto do apocalipse, e sim portador de boas noticias. Representa um upgrade na gestão das empresas. Inovações tecnológicas e gerenciais nascem da mão deste profissional que, com sua visão sistêmica e atuação multidisciplinar, consegue ser plural, congregar interesses e apontar caminhos e soluções.

Mostra e motiva um novo modelo de vida em sociedade ajudando a construir um novo modelo de produção e consumo, mais verde, limpo e sustentável.

Maria Cecilia Coutinho de Arruda é Graduada em Economia (USP), com mestrado em Administração de Empresas (FGV-SP), doutorado em Administração (USP) e pós-doutorado em Ética e Propaganda na City University of New York, USA. Atualmente é Profa. Adjunta – Departamento de Mercadologia – MCD da FGV-EAESP e Diretora Executiva da ALENE – Associação Latino- Americana de Ética, Negócios e Economia.