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SUSTENTABILIDADE E INCONSCIENTE COLETIVO

MARILENA LINO DE ALMEIDA LAVORATO

07/02/2017

A sustentabilidade é uma preocupação recente da humanidade ou sempre fez parte do seu inconsciente coletivo?

Para responder esta questão devemos focar na essência do que seja sustentabilidade, como a entendemos e percebemos. De forma, simplificada é o equilíbrio dos pilares social, ambiental e econômico. Mas como isto se traduz na sua essência e no dia a dia dos humanos.

Vamos simplificar as coisas e antes das definições acadêmicas e corporativas, começar pelo que sugere a palavra “sustentabilidade”, ou seja, algo que se renova de forma contínua, autônoma, e por longo tempo.

Ora bolas. Ninguém em sã consciência quer que situações que ofereçam riscos de desestabilização, se renovem “ad aeternum”. Ora, ninguém em sã consciência aposta em algo que não seja equilibrado, porque não se manterá em pé por muito tempo. Ora, ninguém em sã consciência acredita que sistemas sujeitos a escassez e extinção de elementos vitais possam sobreviver. Ora, qualquer humano que goze de sua perfeita sanidade quer viver em ambientes que não apresentem nenhuma destas possibilidades aqui citadas. Opa, então a sustentabilidade sempre esteve presente no inconsciente coletivo dos humanos.

Mudou se a forma de vida dos humanos, mas a essência da vida humana continua a mesma

A sustentabilidade, na sua essência, sempre esteve dentro de nós. O homem da caverna queria sustentabilidade para usufruir de uma vida boa. O que era sustentabilidade para ele, imagino, era ter animais em abundância para caça, matar a fome e o frio que colocava em risco sua vida. Tal exigência, fez com que ele se desenvolvesse e trilhasse por caminhos que atendesse este objetivo. Para o homem da idade média sustentabilidade era formar grupos fortes, bem alimentados, prontos para combates que pudessem colocar em risco suas vidas. E tal fato, fez ele construir sociedades mais ou menos desenvolvidas. E, o homem dos dias atuais, continua na sua essência querendo a mesma coisa. Condições favoráveis para viver, e viver bem. Mudou o conceito do que seja viver bem, a ciência avançou na compreensão do complexo sistema ambiental do planeta, mas para viver, continuamos precisando das mesmas coisas: ar, água, alimento, saúde, grupos, paz.  E quanto mais equilibrado for o estado das coisas, mais sustentável o ambiente e melhor as condições de vida de quem nele habita. Não será esta a essência da sustentabilidade?

Mudou se a forma de vida dos humanos (a relação do homem com o meio), mas o seu desejo (motivado pelo imperativo de vida e sobrevida) continua intacto no inconsciente coletivo da humanidade – Viver, e bem. Junto aos seus grupos. Entenda-se por grupos, célula familiar e corporativa, classes geosociais de uma cidade ou pais. Os conglomerados empresariais e os blocos de países. Tudo e todos motivados por objetivos comuns. Poderá haver divergência no “modus Operandi” (como chegar lá), mas total convergência onde chegar (objetivo).

O desejo de um destino sustentável (Nosso futuro comum) é comum a todos, porém os caminhos, a velocidade, a direção e os meios nem sempre serão. A sustentabilidade (viver, e bem) faz parte do inconsciente coletivo. Seu grande desafio, é sair do inconsciente para se tornar presente. E de forma consensual, porque os grupos existem e você faz parte deles. Neste ponto, a ciência e as boas práticas podem ajudar.

Marilena Lino de Almeida Lavorato é ambientalista, Fundadora do Instituto MAIS de Cultura da Sustentabilidade, e idealizadora do Programa Benchmarking Brasil de certificação de boas práticas socioambientais